Hoje vamos falar sobre dois cenários de sofrimento onde a fé cristã continua firme. Nossa primeira matéria nos leva à Ucrânia. Em meio ao rigoroso inverno, com temperaturas abaixo de zero, irmãos e irmãs continuam se reunindo para cultuar a Deus. As igrejas não fecharam as portas. Pelo contrário: tornaram-se abrigos de esperança. O frio extremo, que chega a marcas negativas de —15°C ou até mais, não impede que fiéis caminhem quilômetros sobre neve e gelo para se encontrar com a comunidade. Pastores precisam tomar cuidado redobrado com a saúde dos membros, muitos deles idosos e crianças. Mesmo assim, o louvor soa forte. O testemunho desses cristãos mostra que, quando o corpo treme de frio, o Espírito aquece por dentro.
Confira o artigo em áudio:
A segunda matéria nos transporta para o continente africano — mais precisamente, para a República Democrática do Congo (RDC). Lá, os cristãos enfrentam um duplo desafio: um surto de Ebola e a perseguição religiosa constante. O vírus Ebola, identificado pela primeira vez na cidade de Zaire em 1976, voltou a assolar regiões como Bundibugyo e a província de Ituri. A letalidade da doença é altíssima: sem tratamento adequado, a taxa de mortalidade pode ultrapassar 50%. Agora, imagine isso num contexto onde grupos armados como a ADF atacam vilarejos e igrejas. Médicos Sem Fronteiras (MSF) denuncia que equipes de saúde são alvos de violência. Missionários estrangeiros, como Serge, Peter Stafford e Rebekah Stafford, além de Patrick LaRochelle, atuam em locais remotos como Nyankunde, arriscando a própria vida.
A organização Internacional Christian Response (ICR) — ou Resposta Cristã Internacional — tem prestado auxílio humanitário e espiritual nessas áreas. O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos classifica a situação na RDC como crítica. Mesmo assim, os cultos continuam. As igrejas viraram postos de orientação sanitária. Crentes lavam as mãos antes de entrar, evitam apertos de mão e se sentam a distância segura. Mas a perseguição não vem só do vírus: cristãos são ameaçados por grupos extremistas que veem no Evangelho uma ameaça ao seu domínio. Igrejas são incendiadas, líderes são sequestrados. No entanto, o testemunho desses irmãos nos constrange e nos ensina: a fé não se rende ao medo.
Diante dessas notícias, somos convidados a refletir. Não há como romantizar o sofrimento. O frio que queima os dedos e a febre hemorrágica que mata em dias são realidades brutais. A perseguição religiosa não é um conceito abstrato; ela tem nome, endereço e lágrimas. O que vemos na Ucrânia e no Congo é a face mais dura da cruz: seguidores de Jesus que pagam um preço alto por sua fé. E precisamos nomear isso: é injusto, é cruel, é contrário ao coração de Deus.
No entanto, há um ponto positivo, e ele brilha na escuridão. A resiliência desses irmãos não nasce de sua própria força. Ela nasce de uma certeza: Cristo venceu a morte. E, por isso, eles não estão sozinhos. A Igreja global, que somos todos nós, tem o dever de se lembrar deles, orar por eles e, quando possível, estender a mão.
Que estas histórias nos tirem da apatia. O evangelho não é uma religião de conforto. É um chamado para amar até as últimas consequências.
O QUE A BÍBLIA DIZ
A Palavra de Deus nos dá uma lente para enxergar essas situações. Em Mateus 24, versículo 9, Jesus já havia advertido: “Então vocês serão entregues para serem perseguidos e mortos, e serão odiados por todas as nações por causa do meu nome.” Não há surpresa no sofrimento dos santos. Mas a Bíblia também nos dá o conforto. Em 2 Coríntios 1, versículos 3 e 4, lemos: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão em qualquer tribulação.”
Para os irmãos no Congo, que enfrentam o Ebola, podemos lembrar do Salmo 91, versículo 10: “Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.” Não como uma promessa automática de imunidade física, mas como a certeza de que Deus guarda a alma dos seus. Já para os irmãos na Ucrânia, que cultuam sob o frio cortante, o Salmo 34, versículo 15 nos assegura: “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos estão atentos ao seu clamor.”
A mensagem é clara: Deus vê, Deus ouve, Deus não abandona.
ORIENTAÇÕES PRÁTICAS
Diante de situações como essas, como podemos agir com sabedoria? Primeiro, em relação ao Ebola — e isso vale para qualquer emergência sanitária — a prevenção salva vidas. Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel. Evitar contato direto com pessoas doentes. Não tocar em objetos que possam estar contaminados. Seguir as orientações das autoridades de saúde locais e internacionais.
Em segundo lugar, para quem vive em áreas de conflito ou perseguição, o conselho bíblico permanece válido: “Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16). Isso significa não se expor ao risco desnecessário. Saber quando falar e quando silenciar. Ter redes de apoio e contatos de emergência.
E, para todos nós, que estamos em relativa segurança, a orientação prática é: não nos esqueçamos. Ore diariamente pelos perseguidos. Contribua com organizações sérias que atuam no campo. Compartilhe as histórias. O silêncio é o maior aliado da perseguição.
Talvez você esteja passando por uma dificuldade diferente — uma doença, uma perda, uma desilusão. A verdade é que o sofrimento nos une como humanidade. Mas a esperança nos une como filhos de Deus. Olhe para esses irmãos na Ucrânia e no Congo. Eles não desistiram. Eles não desistiram porque sabem em quem creram.
O apóstolo Paulo escreveu em Romanos 8, versículo 18: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós há de ser revelada.” Isso não é um conselho de autoajuda. É uma promessa eterna. O frio passa. O vírus passa. A perseguição passa. Mas o amor de Deus permanece para sempre.
Não importa o tamanho da sua provação hoje, Deus é maior. Ele está com você. Ele vai te sustentar. E Ele vai te levar até o fim.
Por Aloísio Lucas – Diretor Artístico da 107,5 FM.
Imagem: IA
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