Você já parou pra pensar que no mesmo dia em que o Brasil ganhou sua primeira voz… o mundo decidiu falar sobre salvar vidas?
Hoje é 10 de setembro. E nesse dia, três histórias se cruzam. Três datas que, no fundo, falam da mesma coisa: o valor de ser ouvido.
Confira o artigo em áudio:
Vamos começar pela mais antiga. Em 10 de setembro de 1808, há mais de duzentos anos, nascia no Brasil a Gazeta do Rio de Janeiro. Foi o primeiro jornal publicado aqui na nossa terra. Saiu pela Impressão Régia — a primeira gráfica oficial do Brasil, instalada por ordem de Dom João Sexto. Naquela época, a família real portuguesa tinha vindo morar no Brasil, fugindo das tropas de Napoleão que invadiram Portugal. E sentiu a necessidade de ter um meio de comunicação pra divulgar as decisões do governo.
Antes da Gazeta, existia o Correio Braziliense, feito por Hipólito da Costa. Mas era publicado lá em Londres, na Inglaterra. A Gazeta do Rio foi a primeira a ser impressa em solo brasileiro. E mesmo sem ter muita liberdade pra criticar — porque era um jornal do governo, que só publicava o que interessava à coroa portuguesa — ela abriu caminho pra tudo que viria depois. Toda a imprensa que a gente conhece hoje, os jornais, as revistas, os portais de notícia, tudo começou ali. Um passo gigante pra um país que ainda estava dando seus primeiros passos como nação.
Agora, vamos pra outra data de hoje. Em 10 de setembro também se comemora o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi criada em 2003 pela IASP — que é a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, junto com a Organização Mundial da Saúde. Aqui no Brasil, isso faz parte da campanha do “Setembro Amarelo”, que existe desde 2015.
Olha, é um assunto sério. E a gente precisa falar dele com cuidado, com respeito, sem sensacionalismo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida no mundo todo a cada ano. No Brasil, são mais de 13 mil casos por ano. Cada número desses é uma família que se quebra. Cada número é uma história que termina antes do tempo. E o que mais dói é saber que grande parte dessas mortes poderia ser evitada com escuta, com acolhimento, com tratamento adequado.
O tema da campanha é “Criar esperança através da ação”. Não é só falar. É fazer. É estender a mão. É perguntar “você tá bem?” — e realmente esperar pra ouvir a resposta. E se você acha que alguém próximo está em sofrimento, não hesite. Converse. Aproxime-se. Às vezes, uma palavra de amor é o que falta pra alguém desistir da pior ideia.
E tem ainda uma terceira data hoje: o Dia do Gordo. É uma data informal, mas que tem um significado bonito. Surgiu pra celebrar as pessoas de tamanho grande e lutar contra o preconceito. Durante muito tempo, quem tinha o corpo maior sofria piada, era deixado de lado, era diminuído. O Dia do Gordo existe pra dizer: todo corpo merece respeito. Todo corpo merece dignidade. Não existe corpo de segunda classe.
E olha que isso é mais sério do que parece. O preconceito com o corpo — a chamada gordofobia — existe. Está na escola, no trabalho, na TV, nas redes sociais. E ele machuca. Crianças sofrem bullying. Adultos são rejeitados em entrevistas de emprego. Pessoas deixam de ir à praia, de sair de casa, de viver — por medo de serem julgadas. Então, essa data é pra lembrar que o respeito não tem número, não tem manequim, não tem balança.
Três datas. Três histórias. Mas no fundo, uma só mensagem: todo mundo precisa ser ouvido. E todo mundo precisa ser respeitado.
E a Bíblia tem muito a dizer sobre isso. Sobre ouvir. Sobre valorizar. Sobre enxergar além das aparências.
Olha o que diz em Primeiro Samuel, capítulo 16, versículo 7, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, a NTLH:
“E Deus disse a Samuel: — Não se impressione com a aparência nem com a altura dele, pois eu não o escolhi. Eu não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para o que é exterior, mas eu, o Senhor, olho para o coração.”
Deus não olha pro tamanho do corpo. Deus não olha pro número da balança. Deus não olha pro que a sociedade acha bonito ou feio. Deus olha pro coração. E é lá, no coração, que o valor de cada pessoa está. Você não vale pelo que os outros veem por fora. Você vale pelo que Deus vê por dentro.
E quando a gente fala de prevenção ao suicídio, a Palavra também tem mensagem de esperança. O Salmo 34, versículo 18, diz:
“O Senhor é perto de quem sofre e salva os que estão desanimados.”
Deus não está longe. Ele não está de costas. Ele está perto. Perto de quem chora. Perto de quem sente que não aguenta mais. Perto de quem está cansado de lutar. E mais do que perto — Ele salva. Ele levanta. Ele acolhe. Se você está ouvindo isso e sente que está no limite, saiba: Deus não desistiu de você. Ele está aí, do seu lado, agora.
E quando o assunto é comunicação, ouvir também é mandamento. Em Tiago, capítulo 1, versículo 19, a Bíblia diz:
“Portanto, meus queridos irmãos, que cada um esteja sempre pronto para ouvir e demorado para falar.”
Pronto pra ouvir. Demorado pra falar. Que ensinamento! A imprensa brasileira nasceu pra dar voz a um país. Hoje, a gente também é chamado pra ser imprensa uns dos outros. Ouvir o irmão. Ouvir quem tá em silêncio. Ouvir quem carrega dor sem nunca ter contado a ninguém. A primeira Gazeta do Rio de Janeiro foi um passo de coragem. Dar voz a quem não tem também é um passo de coragem.
Então, como a gente coloca isso na prática hoje? Aqui vão três atitudes que você pode tomar agora, no seu dia a dia.
Primeira: pare e pergunte. Hoje, antes de qualquer outra coisa, mande uma mensagem pra aquela pessoa que você sente que está meio sumida. Aquela amiga que não aparece mais no grupo. Aquele parente que anda respondendo curto demais. Não precisa ser uma conversa longa. Um “como você tá?” de verdade já pode ser o que essa pessoa precisava ouvir hoje. Às vezes, a gente acha que a pessoa está bem porque não fala. Mas silêncio nem sempre é paz. Às vezes, silêncio é pedido de socorro que não sabe gritar.
Segunda: olhe pro próximo com olhos de Deus. Não pelo tamanho do corpo. Não pela roupa. Não pelo que a sociedade rotula. Olhe pro coração. Se alguém ao seu lado é diferente — seja no corpo, no jeito, na história — mostre respeito. Mostre acolhimento. Ser gentil não custa nada e pode mudar o dia de alguém. E talvez até a vida. Lembre o que Deus disse a Samuel: a gente olha pra fora, mas Deus olha pra dentro. Que a gente aprenda a olhar pra dentro também.
Terceira: seja um espaço seguro. Às vezes, a pessoa que está sofrendo não sabe por onde começar a pedir ajuda. Crie um ambiente onde as pessoas possam ser honestas sem medo de julgamento. Sem risinho. Sem “eita, exagero”. Sem “isso é coisa da cabeça”. Só acolhendo. Se você percebe que alguém está em risco — não deixe essa pessoa sozinha. O CVV — Centro de Valorização da Vida — atende pelo número 188 e pelo site cvv.org.br. Atende vinte e quatro horas, todos os dias. Grátis. Anônimo. Sem julgamento. Ligar não custa nada. E pode salvar uma vida.
Por Aloísio Lucas – Diretor Artístico da 107,5 FM.
Imagem: IA
