Recomendação atual do SUS prioriza mulheres de 50 a 74 anos, mas o acesso ao exame também contempla outras faixas etárias, conforme orientação profissional.
A mamografia e as recomendações atuais
A mamografia é um dos principais exames utilizados para detectar alterações nas mamas antes que apareçam sinais perceptíveis. Mesmo assim, ainda existem dúvidas sobre quando realizar o exame, com que frequência ele deve ser repetido e se todas as mulheres precisam seguir a mesma recomendação.
Uma informação importante mudou em setembro de 2025: o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária prioritária para o rastreamento mamográfico de rotina no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a recomendação é que mulheres de 50 a 74 anos realizem mamografia de rastreamento a cada dois anos, desde que não apresentem sinais ou sintomas suspeitos.
A orientação considera evidências científicas sobre os benefícios do rastreamento nessa faixa etária, incluindo a possibilidade de identificar a doença em fases iniciais e reduzir a mortalidade por câncer de mama.
E quem tem menos de 50 anos?
Essa é uma dúvida frequente, especialmente entre mulheres que têm o hábito de realizar mamografia anualmente ou que acreditam que o exame só pode ser feito a partir dos 50 anos.
O SUS também garante acesso à mamografia de rastreamento por demanda para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos que não apresentam sinais ou sintomas suspeitos e desejam realizar o exame. Nesses casos, a decisão deve ser acompanhada de orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos.
Isso significa que estar fora da faixa prioritária não impede automaticamente o acesso ao exame. A recomendação, porém, não é fazer mamografia de rotina todos os anos, independentemente da idade ou das condições individuais.
O histórico familiar, por exemplo, pode influenciar a avaliação de risco e a definição do acompanhamento. Por isso, mulheres com casos de câncer de mama em familiares próximos devem informar essa história durante uma consulta, para que a necessidade de rastreamento seja avaliada individualmente.
Por que não fazer o exame todos os anos, por precaução?
A ideia de que fazer mais exames significa necessariamente ter mais proteção parece intuitiva, mas o rastreamento precisa seguir critérios definidos.
A mamografia pode identificar alterações que exigem novos exames, mesmo quando não existe câncer. Também pode apresentar resultados falso-negativos, quando uma alteração existente não é identificada, e detectar tumores que talvez não evoluíssem de forma ameaçadora durante a vida da mulher.
Essas situações podem gerar ansiedade, procedimentos adicionais e tratamentos desnecessários. Por isso, as recomendações consideram não apenas os benefícios, mas também os possíveis danos do rastreamento.
Seguir a periodicidade recomendada é uma maneira de utilizar o exame de acordo com as evidências disponíveis, evitando tanto a falsa sensação de segurança quanto a realização indiscriminada de procedimentos.
E se eu perceber um caroço ou outra alteração?
Nesse caso, a orientação é diferente.
A mamografia de rastreamento é destinada a mulheres sem sinais ou sintomas suspeitos. Quando aparece um caroço, uma alteração na pele, retração do mamilo ou saída espontânea de líquido por um dos mamilos, é importante procurar atendimento para avaliação.
O profissional de saúde poderá indicar a investigação adequada, que pode incluir mamografia diagnóstica, ultrassonografia ou outros exames, conforme cada situação. Não é necessário esperar a idade recomendada para o rastreamento nem o próximo exame de rotina para investigar uma alteração suspeita.
Isso também ajuda a esclarecer uma diferença importante: rastreamento é o exame realizado em pessoas sem sintomas, enquanto a investigação diagnóstica busca esclarecer uma alteração já identificada.
Onde buscar orientação?
A Unidade Básica de Saúde (UBS) é um dos caminhos para esclarecer dúvidas sobre a mamografia, conhecer as recomendações aplicáveis à sua faixa etária e receber orientação sobre o acompanhamento indicado.
Na consulta, vale informar a idade, o histórico familiar e eventuais alterações percebidas nas mamas. Essas informações ajudam o profissional a avaliar a necessidade e a periodicidade dos exames.
Durante o Outubro Rosa, a Rádio 107 reforça que informação confiável também faz parte do cuidado. A mamografia tem um papel importante na detecção precoce do câncer de mama, mas deve ser realizada de acordo com as recomendações de saúde e as necessidades de cada mulher.
Conhecer a recomendação, esclarecer dúvidas e não ignorar alterações são atitudes que ajudam a cuidar da saúde.
Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.
