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Palavra do Dia: Eleições 2026 – Não deixe que outros decidam por você

O Brasil chega às eleições de 2026 com 158,7 milhões de eleitores aptos — cerca de dois milhões a mais que na última eleição presidencial, disputada em 2022. O estado com o maior colégio eleitoral é São Paulo, seguido por Minas Gerais. Juntos, esses dois estados concentram mais eleitores que todo o Nordeste brasileiro. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.

 

Confira o artigo em áudio:

 

Um dado que chama a atenção: as mulheres superam os homens em nove milhões no eleitorado nacional. Outro ponto importante é a decepção dos jovens com a política. Entre os jovens de 16 e 17 anos — faixa que pode votar, mas não tem votação obrigatória —, a inscrição caiu 14%. Quem tem mais de 70 anos também está dispensado da obrigação de comparecer às urnas.

O jornalista Alexandre Garcia faz um apelo direto: não abra mão do direito do voto, não permita que outros decidam em seu lugar. Em 2022, 25% do eleitorado não compareceu, votou em branco ou anulou o voto. Em números absolutos, isso representaria aproximadamente 40 milhões de brasileiros neste ano de 2026 — uma quantidade expressiva, capaz de definir o rumo de uma eleição.

Aqui em Santa Catarina, o cenário é igualmente relevante. O estado conta com 5.725.753 eleitores aptos, segundo dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral na última terça-feira, dia 21 de julho. Esse número representa um crescimento de 4,3% em relação às eleições presidenciais anteriores — índice superior à média nacional. O crescimento foi impulsionado, em parte, pela migração para o estado. As mulheres representam 52,26% do eleitorado catarinense. O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro.

Joinville mantém a liderança como o maior colégio eleitoral de Santa Catarina, com 441.735 eleitores e eleitoras. Na sequência aparecem Florianópolis, com 420.430, e Blumenau, com 268.254. Esses números demonstram a força do eleitorado da nossa região e a responsabilidade que temos nas mãos.

O conselho do jornalista é claro: pense com a própria cabeça. Que cada eleitor escolha alguém com condições de administrar o país, de participar bem dos debates e de assumir a herança que receberá caso vença a eleição. Não vote por fanatismo, não vote porque alguém mandou — vote com convicção e discernimento.

Diante deste cenário eleitoral, precisamos refletir à luz da fé cristã. O voto não é apenas um direito civil — é um ato de responsabilidade diante de Deus e da sociedade. Quando exercemos o direito de escolher nossos representantes, estamos participando da construção do bem comum, algo que deve estar no coração de todo cristão.

Há pontos positivos a destacar. A democracia, apesar de suas imperfeições, permite que o cidadão participe da escolha de seus governantes. Isso é um privilégio que nem todos os povos tiveram ao longo da história. O apelo para que as pessoas pensem com a própria cabeça é nobre e necessário — a Bíblia valoriza a sabedoria e o discernimento individual. Cada pessoa deve buscar direção em Deus antes de tomar decisões importantes.

Por outro lado, há pontos que merecem atenção e alerta. O fanatismo político — quando alguém vota não por convicção, mas por imposição de terceiros — é uma forma de abrir mão da liberdade que Deus nos deu. Quando o cristão transfere sua capacidade de julgamento para um líder, um partido ou uma figura pública, ele está colocando sua confiança no homem e não no Senhor. A Palavra de Deus nos adverte: maldito o homem que confia no homem e faz da carne o seu braço, afastando o coração do Senhor.

A queda na inscrição de jovens de 16 e 17 anos revela algo preocupante: a desilusão com a política. Isso é compreensível diante dos escândalos e da desonestidade que frequentemente dominam as manchetes. Mas a desistência não é a resposta certa. Quando o povo de Deus se omite, o espaço é ocupado por aqueles que nem sempre têm os valores do Reino em mente.

A apatia eleitoral — os 25% que não compareceram em 2022 — é outro ponto negativo. Omitir-se é, de certa forma, permitir que outros decidam o futuro da nação, do estado e do município. Para o cristão, a omissão não é uma opção neutra. Omissão é uma escolha com consequências.

O que a Bíblia diz sobre o tema?

A Palavra de Deus traz orientações claras sobre responsabilidade civil, escolha de líderes e participação na sociedade.

Romanos 13:1 diz: “Toda pessoa esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as que existem foram por Ele instituídas.” Isso significa que Deus é soberano sobre os governos. Mas a submissão às autoridades não significa passividade — significa que respeitamos a ordem estabelecida e participamos dela de forma responsável, inclusive pelo voto.

Provérbios 29:2 declara: “Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra; mas quando o ímpio domina, o povo geme.” Este versículo é direto: a qualidade dos governantes determina a alegria ou o sofrimento de um povo. Se os justos se omitem, os ímpios dominam. O voto do cristão é uma forma de multiplicar a justiça na terra.

1 Timóteo 2:1-2 orienta: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com piedade e respeito.” Aqui, o apóstolo Paulo nos ensina a orar pelos governantes — não apenas por aqueles que elegemos, mas por todos os que exercem autoridade.

Deuteronômio 1:13 registra a orientação de Moisés: “Escolhei vossos homens sábios, entendidos e experientes, segundo as vossas tribos, e eu os porei sobre vós como cabeças.” A escolha de líderes sábios e experientes é um princípio bíblico. O voto deve ser consciente, pautado em critérios de competência, caráter e temor a Deus.

Provérbios 14:34 afirma: “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos.” A justiça — inclusive a justiça social, a honestidade na administração pública e a retidão nas decisões governamentais — é o que eleva uma nação. O voto justamente direcionado contribui para exaltar a nação.

Orientações práticas

Como se prevenir:

  • Não se deixe levar por fake news e desinformação. Busque fontes confiáveis, verifique as propostas dos candidatos e fuja de discursos que apelam apenas para a emoção.
  • Não permita que ninguém — seja parente, amigo, líder religioso ou figura pública — decida seu voto em seu lugar. O voto é secreto, individual e intransferível.
  • Cuidado com o fanatismo político. Quando a política se transforma em idolatria, o coração se afasta de Deus. Nenhum candidato, partido ou ideologia deve ocupar o lugar que pertence ao Senhor.

Como agir com sabedoria:

  • Ore antes de votar. Peça a Deus discernimento para escolher aqueles que melhor servirão ao povo e honrarão os princípios da justiça e da verdade.
  • Avalie o caráter, a competência e as propostas de cada candidato. Não vote apenas por simpatia pessoal ou por indicação de terceiros.
  • Informe-se. Conheça a trajetória de cada candidato, sua atuação pública anterior e seus compromissos com a ética e a transparência.

Como contribuir para o bem:

  • Compareça às urnas. Sua ausência não é neutralidade — é a entrega do seu poder de decisão a outros.
  • Acompanhe a gestão pública após as eleições. A participação do cidadão não termina no dia da votação. Fiscalize, cobre, exija ética e transparência.
  • Incentive os jovens a se cadastrarem e a participarem. A desilusão com a política só será superada quando houver engajamento consciente e responsável.
  • Ore pelos governantes, independentemente de em quem tenha votado. A Bíblia nos manda interceder por todos os que exercem autoridade.

Amado ouvinte, talvez você esteja decepcionado com a política. Talvez já tenha sido traído por promessas não cumpridas, ou tenha visto a corrupção manchar a confiança no sistema. Essa dor é legítima — mas não permita que ela paralisie você.

Deus colocou em suas mãos um instrumento poderoso: o voto. Um único voto parece pequeno diante de milhões, mas diante de Deus, nenhum ato de justiça é insignificante. Quando você comparece às urnas com discernimento e fé, você está plantando uma semente de justiça que pode frutificar para as próximas gerações.

Lembre-se: a nossa esperança última não está em nenhum governante terreno, mas no Rei dos reis e Senhor dos senhores. Mesmo assim, enquanto vivemos neste mundo, somos chamados a ser sal e luz — e isso inclui participar, com sabedoria e integridade, da vida pública da nossa nação.

Não desista. Não se omita. Vote com fé, vote com consciência, e confie que Deus está no controle. A justiça exalta as nações — e o seu voto é uma semente dessa justiça.

 

Por Aloísio Lucas – Diretor Artístico da 107,5 FM.

Imagem: IA

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