O mês de maio carrega uma cor importante: o laranja. Não é enfeite. É alerta.
O Maio Laranja é a campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes — e os números são sérios demais para ignorar.
Confira o artigo em áudio:
Só em 2022, o Brasil registrou quase 112 mil denúncias de violência sexual infantil pela internet. Um aumento de 10% em relação ao ano anterior. No Acre, as denúncias pelo Disque 100 quadruplicaram em quatro anos: de 22 registros em 2020 para 90 em 2024 — alta de 309%.
Em todo o país, as denúncias cresceram 195% nos últimos quatro anos. Treze crianças e adolescentes se tornam vítimas de alguma forma de violência sexual, física ou psicológica a cada hora.
A data de referência, 18 de maio, foi instituída em memória à menina Araceli Crespo, de oito anos, sequestrada, violentada e assassinada em Vitória, no Espírito Santo, em 1973. Uma tragédia que nunca deveria ter acontecido — e que mobilizou o Brasil a agir.
A campanha alerta: pais, mães e cuidadores precisam acompanhar de perto a vida digital das crianças. Diálogo aberto em casa é proteção real.
Canais de denúncia:
📞Disque 100 — violações de direitos humanos. Denúncia anônima, 24 horas.
🚨190 — Polícia Militar, quando há risco imediato.
📱WhatsApp do Ministério da Mulher e Direitos Humanos: (61) 99656-5008.
🏥Profissionais de saúde têm obrigação legal de notificar suspeitas de violência.
Diante de dados tão duros, o coração dói. E deve doer. Porque fé que não sente a dor do próximo perdeu sua essência.
O que esses números revelam é grave: a infância está sendo violada — muitas vezes dentro de casa, muitas vezes por pessoas de confiança, e cada vez mais pela via digital. O ambiente virtual ampliou o alcance dos predadores e reduziu as barreiras de acesso às vítimas.
O ponto positivo — e ele existe — é que a sociedade está denunciando mais. A conscientização tem avançado. Campanhas como o Maio Laranja abrem conversas que antes ficavam no silêncio. E o silêncio, quando se trata de abuso, é cúmplice.
O desafio permanece enorme. Mas a Igreja não pode ficar de fora dessa luta. Somos chamados a ser voz dos que não têm voz — e guardiões dos que não conseguem se proteger sozinhos.
O que a Bíblia diz
A Palavra de Deus é direta quando se trata de crianças.
“Deixem as crianças virem a mim e não as impeçam, porque o Reino dos Céus pertence aos que são como elas.”— Mateus 19.14 · NTLH
Jesus colocou as crianças no centro. Não na periferia. Protegê-las não é apenas dever social — é mandamento do Reino.
“Mas quem fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de mó e se afogasse no fundo do mar.”— Mateus 18.6 · NTLH
Jesus não usava meias palavras quando o assunto era a proteção dos pequenos. Quem os faz sofrer responde diante de Deus.
“Defendam os direitos dos pobres e dos órfãos; protejam os fracos e os necessitados.”— Salmo 82.3 · NTLH
Defender crianças vulneráveis não é ativismo. É adoração. É obediência à voz de Deus.
Orientações práticas
1.Abra o diálogo em casa. Converse com seus filhos sobre segurança na internet. Use linguagem simples e acolhedora. Pergunte com quem eles conversam, quais aplicativos usam, o que assistem. Não é vigilância — é cuidado. A criança que se sente segura para falar com os pais tem muito mais proteção do que qualquer filtro de aplicativo.
2.Denuncie sem hesitar. Se você suspeitar de abuso — seja na vizinhança, na escola ou em qualquer ambiente — ligue para o Disque 100. A denúncia é anônima. Guardar silêncio por medo ou por “não querer se meter” pode custar a infância — ou a vida — de uma criança.
3.Seja presença protetora na comunidade. A Igreja pode oferecer espaços seguros, rodas de conversa, orientação a famílias. Pastores, líderes e membros têm papel ativo nessa proteção. Pergunte à sua liderança como sua comunidade de fé pode se engajar nessa causa. A missão da Igreja inclui defender os vulneráveis.
Talvez você tenha ouvido esses números e sentido um peso no coração. Isso é bom. Significa que a compaixão ainda está viva em você.
Mas não fique só no peso. A Bíblia nos chama à ação. Ser sal e luz no mundo significa agir onde há escuridão — e há muita escuridão nesse tema.
Você não precisa mudar o Brasil inteiro. Precisa cuidar bem do seu lar. Precisa conhecer os filhos dos vizinhos. Precisa ter coragem de denunciar quando algo parece errado. Precisa orar por nome — por aquelas crianças cujos nomes você não conhece, mas Deus conhece todos.
Uma pessoa atenta pode mudar o destino de uma criança. E isso começa com você, agora, hoje.
Por Aloísio Lucas – Diretor Artístico da 107,5 FM.
Imagem: IA
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