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Palavra do Dia: “O crescimento acelerado do mercado ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil”

Hoje trazemos o destaque de uma reportagem especial publicada pelo jornal Gazeta do Povo, com texto de Fernando Henrique de Oliveira, sobre um tema que diz respeito à saúde pública e à segurança: o crescimento acelerado do mercado ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil.

 

Confira o artigo em áudio:

 

Quem adquire uma caneta emagrecedora ilegal num camelô ou num grupo de bairro dificilmente se enxerga como cliente do crime organizado. Mas, por trás dessa aparência de informalidade, existe uma rede que vem se profissionalizando rapidamente. Depósitos no Paraguai despacham cargas de milhares de ampolas direto para caminhões, sem passar pelo varejo.

Os números impressionam. A Polícia Federal apreendeu 165,6 mil unidades de medicamentos para emagrecimento no Brasil, de janeiro ao início de junho deste ano. Esse volume é quase o triplo das 60,9 mil unidades recolhidas durante todo o ano de 2025.

Pelas dimensões reduzidas dos produtos, a fiscalização tem feito flagrantes variados. Neste início de agosto, a Receita Federal detectou um motorista que transportava remédios para emagrecer escondidos dentro da própria bota.

O Paraná responde por 56,2% do volume apreendido, com quase 93 mil unidades. São Paulo aparece na sequência, com 40,9 mil. Juntos, os dois estados concentram 80,9% do total. A Polícia Federal registrou apreensões em 26 estados; apenas o Tocantins não aparece no levantamento.

O contrabando de medicamentos emagrecedores está crescendo mais rápido do que o de cigarros — um mercado ilegal consolidado há décadas. No dia 22 de julho, a Receita Federal encontrou cerca de 5.820 ampolas num veículo abordado perto de São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. Avaliada em aproximadamente R$ 800 mil, a carga seguia para Cascavel.

A circulação não se limita às fronteiras terrestres. No dia seguinte, a Polícia Federal apreendeu 273 ampolas de tirzepatida no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com dois passageiros vindos de Foz do Iguaçu.

A Receita Federal informou ter apreendido 158,3 mil canetas emagrecedoras no primeiro semestre deste ano — mais que o dobro das 78,7 mil recolhidas durante todo o ano anterior. A cidade de Foz do Iguaçu concentra 71,6 mil canetas, o que representa 45,2% das apreensões do órgão em todo o país.

Para Luciano Stremel Barros, presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras — o Idesf —, a rapidez do avanço está ligada às diferenças regulatórias e tributárias entre Brasil e Paraguai. Ele afirma: “É um fenômeno único. Não me recordo de outro produto que, em tão pouco tempo, tenha conquistado mercados ilegais com tanta força.”

Segundo ele, comerciantes que antes negociavam outras mercadorias migraram para os emagrecedores ao perceberem a rentabilidade. As ampolas ocupam pouco espaço e alcançam preços elevados, o que aumenta o retorno de cada carga. Barros alerta: “Já há depósitos vendendo diretamente ao contrabandista, sem passar pelo varejo. Quando uma carga de 6 mil ou 7 mil ampolas sai de um depósito direto para um caminhão, estamos diante de uma estrutura criminal bastante organizada.”

O que circula no mercado ilegal não é necessariamente o medicamento original mais barato. As apreensões incluem produtos que afirmam conter semaglutida ou tirzepatida, mas foram manipulados fora das regras, importados sem autorização ou falsificados.

Os medicamentos legais conhecidos são o Ozempic e o Wegovy, que contêm semaglutida, e o Mounjaro, que tem como princípio ativo a tirzepatida. Essas substâncias atuam no controle da glicose e na saciedade, reduzindo a fome.

Há também substâncias experimentais. A retatrutida continua em fase de pesquisa e não possui registro sanitário em nenhum país, embora produtos identificados com esse nome já apareçam nas apreensões brasileiras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, alerta que produtos comprados fora de farmácias e drogarias autorizadas não oferecem garantia de procedência, composição ou conservação. Não há segurança de que o conteúdo corresponda ao róvulo nem de que o medicamento tenha sido mantido nas condições necessárias.

A Anvisa passou a exigir a retenção da receita em 2025, após identificar um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.

Ao refletirmos sobre essa reportagem à luz da fé cristã, precisamos considerar diversos pontos. O primeiro deles diz respeito ao cuidado com o corpo. A Bíblia ensina que o corpo humano é templo do Espírito Santo. Quando alguém se submete a medicamentos sem procedência garantida, sem supervisão médica, está colocando em risco algo sagrado — a vida e a saúde que Deus lhe confiou.

Há também a questão ética. Quem compra um produto ilegal, mesmo sem ter consciência plena do que está por trás, está alimentando uma cadeia criminosa. O apóstolo Paulo nos orienta a não nos conformar com os padrões deste mundo. A pressão estética que impulsiona tantas pessoas a buscar soluções rápidas e perigosas é, muitas vezes, fruto de uma cultura que valoriza a aparência acima da saúde e da dignidade.

Precisamos reconhecer, por outro lado, que existem pessoas com reais necessidades médicas, para as quais esses medicamentos, devidamente prescritos e acompanhados por profissionais de saúde, podem trazer benefícios genuínos. O problema não está no medicamento em si, mas no uso indevido, na automedicação e, sobretudo, no mercado ilegal que explora a vulnerabilidade de quem busca resultados imediatos.

Um ponto positivo que podemos destacar é a ação das autoridades. Polícia Federal, Receita Federal e Anvisa estão atuando com diligência crescente. A sociedade está sendo informada sobre os riscos, e isso é um passo importante. Também há uma oportunidade de refletir sobre nossa relação com o próprio corpo e com os padrões de beleza que aceitamos sem questionar.

Mas os pontos negativos são sérios. Pessoas estão colocando sua saúde em risco com produtos falsificados, manipulados sem controle ou armazenados em condições inadequadas. Redes criminosas estão se fortalecendo com o desespero de quem quer emagrecer. E a cultura do imediatismo — a busca por soluções rápidas para problemas que exigem paciência e disciplina — segue avançando, muitas vezes custando caro demais.

O que a Bíblia diz

A Palavra de Deus traz ensinamentos que se aplicam diretamente a esse tema. Em Primeira Coríntios, capítulo 6, versículos 19 e 20, o apóstolo Paulo escreve: “Acaso, não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que está em vocês, que vocês receberam da parte de Deus, e que vocês não pertencem a si mesmos? Porque vocês foram comprados por um preço; glorifiquem, pois, a Deus com o seu corpo.” Cuidar da saúde é uma forma de honrar a Deus.

Em Romanos, capítulo 12, versículo 2, lemos: “E não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que provem qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” A pressão por um corpo ideal é um padrão deste mundo que precisa ser questionado à luz da sabedoria divina.

O Salmo 139, versículo 14, declara: “Eu te louvo porque me fizeste de modo admirável; maravilhosas são as tuas obras.” Cada pessoa é obra das mãos de Deus, e o seu valor não depende de medidas ou de padrões estéticos.

Em Gálatas, capítulo 5, versículos 22 e 23, encontramos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” O domínio próprio e a paciência são dons de Deus que nos ajudam a buscar saúde com sabedoria, sem atalhos perigosos.

E em Provérbios, capítulo 4, versículo 7: “O princípio da sabedoria é: adquira a sabedoria; sim, com tudo o que você possui, adquira o entendimento.” Diante de decisões que afetam a saúde, buscar conhecimento e orientação profissional é um ato de sabedoria.

Orientações práticas

Diante de tudo o que ouvimos, gostaríamos de deixar algumas orientações práticas para os nossos ouvintes.

Primeiro: nunca utilize medicamentos para emagrecimento sem prescrição médica. Procure um profissional de saúde, faça exames e siga um plano adequado à sua realidade.

Segundo: adquira medicamentos somente em farmácias e drogarias autorizadas. Produtos vendidos em camelôs, grupos de mensagens ou páginas não autorizadas não oferecem nenhuma garantia de segurança.

Terceiro: esteja atento. Um produto mais barato pode esconder falsificação, contaminação ou manipulação irregular. A economia aparente pode custar muito caro à saúde.

Quarto: caso saiba de vendas ilegais, comunique as autoridades. A denúncia ajuda a proteger outras pessoas e a desarticular redes criminosas.

Quinto: busque caminhos saudáveis e sustentáveis para o cuidado com o corpo. Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional são os melhores investimentos a longo prazo.

E, acima de tudo, lembre-se de que o seu valor não é definido pelo espelho. Você é amado por Deus exatamente como é.

Querido ouvinte, talvez você esteja passando por um momento de luta com o peso, com a autoestima ou com a pressão que o mundo impõe sobre a aparência. Saiba que você não está sozinho. Deus conhece cada angústia, cada insegurança e cada desejo de mudança que existe em seu coração.

A Bíblia nos diz que fomos criados de modo admirável. O Senhor não nos avalia pela medida da cintura nem pela escala da balança. Ele olha para o coração, para a intenção, para a fé e para o amor que cultivamos.

Se você sente a necessidade de cuidar melhor do seu corpo, faça isso com sabedoria, com paciência e com respeito a si mesmo. Não abra mão da sua saúde por uma promessa rápida. Deus concedeu a nós o domínio próprio e a capacidade de fazer escolhas conscientes.

Lembre-se também de que a verdadeira beleza nasce de dentro. É a alegria, a paz, a bondade e o amor que transformam uma vida e iluminam os que estão ao redor. Confie em Deus, busque orientação, e caminhe um passo de cada vez. O Senhor está com você nessa jornada.

Por Aloísio Lucas – Diretor Artístico da 107,5 FM.

Imagem: IA

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